terça-feira, 18 de maio de 2010
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Os Estados Unidos serão a Grécia?
Os Estados Unidos serão a Grécia?
12 de maio de 2010 | 16h51
Paul Krugman
David Leonhardt tenta traçar paralelos. Mas qual é a força do paralelo de fato? Eu realmente questionaria esta comparação:
Os números de nossa dívida federal estão ficando assustadoramente familiares. A dívida está projetada para alcançar 140% do Produto Interno Bruto dentro de duas décadas. Acrescentem-se os problemas orçamentários de governos estaduais, e o buraco real cresce ainda mais. A dívida da Grécia, em comparação, é de cerca de 115% de seu PIB.
Bem, isso é comparar uma projeção (altamente incerta) de dívida daqui a 20 anos - que se baseia na suposição de uma política inalterada – com uma dívida real agora. E vale assinalar que a dívida grega está projetada para alcançar 149% do PIB nos próximos anos – e isso com as medidas de austeridade acertadas com o FMI.
Eis uma comparação mais ou menos possível do panorama no médio prazo. Tomei as projeções de Auerbach-Gale para o panorama do déficit orçamentário americano como porcentagem do PIB com as políticas de Obama e as comparei com as projeções do FMI para a Grécia, subtraindo as “medidas” – isto é, as medidas de austeridade acertadas em troca de empréstimos oficiais. Eis como parece:
Basicamente, os Estados Unidos podem esperar uma recuperação econômica para reduzir substancialmente o déficit; a Grécia, que tem um déficit estrutural maior e também enfrenta um ajuste desgastante de sobrevalorização com a zona do euro, não.
Sim, os Estados Unidos precisam de um ajuste fiscal – Auerbach e Gale dizem que temos um desequilíbrio fiscal de longo prazo de 6% do PIB, embora boa parte dele possa ser tapada reduzindo os custos da saúde. Mas nós realmente não somos muito parecidos com a Grécia.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
A Grécia no fim do jogo
Muito bom esse arquivo do Paul Krugman que fala sobre a crise na Grécia.
A Grécia no fim do jogo
Muitos comentaristas acreditam agora que a Grécia acabará reestruturando sua dívida – um eufemismo para a recusa parcial em pagá-la. Mas o raciocínio parece se interromper nesse ponto, o que é errado. Na verdade, o consenso segundo o qual a Grécia deve acabar na inadimplência é provavelmente otimista demais. Estou cada vez mais convencido de que o país será também obrigado a abandonar o euro.
Já expliquei o funcionamento básico do problema: mesmo com uma reestruturação de sua dívida, a Grécia estará em grandes apuros e será obrigada a promover medidas de severa austeridade – provocando um acentuado declínio econômico – apenas para conseguir se livrar do déficit primário, que exclui os juros.
A única coisa capaz de reduzir a necessidade de tamanha austeridade seria algo que ajudasse a economia a se expandir, ou que ao menos impedisse uma contração de tais proporções. Isso amenizaria a dor econômica; também aumentaria a renda, diminuindo assim a rigidez relativa da austeridade fiscal necessária.
Mas o único caminho para a expansão econômica é o aumento das exportações – que só pode ser obtido se os custos e preços gregos sofrerem uma forte redução em relação ao restante da Europa.
Se a Grécia fosse uma sociedade extremamente coesa na qual os salários fossem coletivamente determinados, uma espécie de Áustria do Mar Egeu, talvez fosse possível resolver o problema por meio de uma redução consensual nos salários como um todo – uma “desvalorização interna”. Mas, como demonstram os sombrios acontecimentos de ontem, isso é impossível.
A alternativa é a desvalorização – o que significa abandonar o euro.
Como destaca Eichengreen, o anúncio de qualquer plano para deixar o euro provocaria desastrosas corridas aos bancos gregos. Igualmente, qualquer sugestão da existência dessa possibilidade feita por outros participantes, como o Banco Central Europeu, seria equivalente a invocar um ataque especulativo contra os bancos gregos e, portanto, não pode ser feita. Na prática, a questão toda é impossível de ser debatida.
Mas nada disso significa que o euro não pode ser abandonado. A Grécia já começa a parecer com a Argentina de 2001.
Repito que não se trata de uma alternativa para a reestruturação da dívida; isso é o que pode ser necessário além da reestruturação da dívida para tornar possível o ajuste fiscal.
Espero que em algum lugar, nas entranhas do BCE e do ministério grego das Finanças, as pessoas estejam pensando no impensável. Porque esse resultado desastroso começa a parecer melhor do que suas alternativas.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
PETR3
Economia de Honduras dará um forte salto para a frente! Passa a ser de forte atratividade
1. A crise em Honduras teve um efeito colateral positivo para a sua economia a partir de hoje (27) com a posse do presidente Pepe Lobo. A reação das instituições à tentativa de golpe chavista mostrou aos demais países que em Honduras há segurança jurídica e garantia política contra aventureiros.
2. A condição de economia centro-americana com tratado de livre comércio com os EUA, portanto isenta de impostos, permitiu a entrada das "maquilas", empresas montadoras anos atrás e que agora já ganham uma verticalidade suficiente para concorrer com os produtos chineses nos Estados Unidos, em bens de consumo e em especial confecções. Hoje, em relação a camisas de homens e lingeries, Honduras passou a ser o maior fornecedor das grifes para os mercados dos EUA. Os investimentos em mais um setor, o sexto, no Porto Cortés no norte e os investimentos no chamado Canal Seco (corredor rodoviário e depois ferroviário) entre o Atlântico e o Pacífico abre uma enorme janela de oportunidades.
3. No turismo, ao norte, as praias paradisíacas caribenhas de Roatán já recebem um navio cruzeiro por dia dentro e fora, dos tours caribenhos, levam ali quase 1 milhão de pessoas por ano. Com um aeroporto para aviões de carreira, Roatán tem vôos diários da Itália. Aqui -nas "Islas de la Bahia", é onde está Port Royal- ilha emblemática dos piratas caribenhos, que concorria na época com a Jamaica. Da mesma forma, o centro Maia de Copán, que era o centro das artes dos Maias, também ao norte do país, inigualável, nesse sentido.
4. As "maquilas" ou empresas montadoras de todos os tipos de produto de consumo, em distintos graus de verticalização, abrem espaços para empresas que querem alcançar o mercado dos EUA da forma mais fácil. O sistema de controle e acompanhamento da produção e de sua qualidade em tempo real pelas redes norte-americanas, nas mesas de produção, dão uma flexibilidade que permite colocar pedidos para produção e entrega inclusive de modelos novos, na porta das lojas em menos de 10 dias, via um sofisticado sistema eletrônico e despacho em containeres e repasse para caminhões. A diferença entre o produto FOB e CIF, incluindo transportes e impostos, pouco passa de 5% por unidade.
5. Por outro lado, a necessidade de investimentos em infraestrutura -rodovias com pedágio, ferrovias, hidroelétricas, mercado imobiliário em expansão, atividade portuária, aterros sanitários-, somados à segurança jurídica e política para os investidores, multiplicará a partir daqui, a atratividade hondurenha. Aqui vai se poder provar que os elementos básicos na tomada de decisões de investimentos privados são: instituições sólidas, segurança jurídica e previsibilidade política. É só acompanhar!
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
O verdadeiro Dr. Apocalipse
Achei muito boa a analise dele. A única coisa que discordo é sobre a China, que vai pro buraco junto com o EUA.
O verdadeiro Dr. Apocalipse
O investidor suíço Marc Faber prevê um colapso da economia americana nos próximos anos -- a má notícia é que ele já acertou antes
Poucos economistas ficam à vontade com o rótulo de Doctor Doom, ou Doutor Apocalipse. O apelido, no entanto, é recorrente -- cada crise tem seu arauto do Juízo Final. Mas as crises passam, e ninguém quer ficar eternamente associado ao pessimismo. Mesmo o economistaNouriel Roubini, que se tornou uma celebridade ao prever que a crise imobiliária traria o caos ao sistema financeiro m
undial, andou rejeitando a ideia. "Eu não sou o Doutor Apocalipse", disse ele recentemente. "Sou o Doutor Realista." Com o investidor suíçoMarc Faber, porém, a coisa é diferente. Aos 63 anos, ele é um pessimista convicto e sem reservas. Seu influente relatório é intitulado GloomBoomDoom, e sua página na internet é ilustrada pelas caveiras da série de pinturas A Dança da Morte, de Kaspar Meglinger. Nas últimas décadas, Faber ficou famoso por fazer previsões apocalípticas em meio a períodos de euforia coletiva, acertando na mosca em alguns casos (ele recomendou a venda de ações uma semana antes do crash de 1987, por exemplo). Hoje, não é diferente. Apesar da retomada da economia americana no terceiro trimestre e da impressionante valorização das bolsas do mundo inteiro, Faber prevê um colapso para os próximos anos. Em entrevista a EXAME, ele afirma que a conjugação de juro quase zero com déficits fiscais recordes nos Estados Unidos criará uma bolha maior que a anterior, com efeitos ainda mais nocivos. Abaixo, os principais trechos da entrevista.
As bolsas estão passando por um período de valorização impressionante, e a economia americana voltou a crescer. Não é hora de deixar o pessimismo de lado e comemorar?
Não vejo motivos para comemoração. Quanto mais o mercado acionário se valorizar, pior estará a economia. Pode parecer um paradoxo, mas é fácil explicar. Enquanto a economia americana estiver na situação precária em que está, o Federal Reserve (o banco central americano) vai manter o juro perto de zero e vai continuar imprimindo dinheiro. Vem sendo assim desde o ano passado. Mas esse excesso de dinheiro não está indo para a construção de novas fábricas. Está sendo usado para comprar ações, petróleo, ouro e outros ativos que se valorizam. Enquanto a situação não melhorar, essa política continuará.
O senhor não é o maior fã de Ben Bernanke, presidente do Fed. Mas muitos afirmam que ele salvou o mundo de uma nova Depressão. Qual é o problema com Bernanke?
O problema é que ele ajudou a criar a crise. É preciso olhar para todo o histórico de Alan Greenspan, seu antecessor, e Ben Bernanke, e perguntar de onde, afinal de contas, veio a crise do ano passado. E a resposta é simples. Esses dois senhores são os maiores responsáveis por inflar a bolha imobiliária para tirar a economia da crise de 2001. Eles mantiveram a taxa de juro artificialmente baixa entre 2001 e 2007. Se você perguntar emWall Street, todos vão dizer que amam Bernanke e Greenspan. É claro! Para Wall Street, só importa se o mercado sobe.
O senhor escreveu recentemente que o sistema vai entrar em colapso nos próximos anos. Não está exagerando?
Nenhuma das causas da crise do último ano foi atacada pelo governo americano. Temos exatamente a mesma situação de 2001, quando os juros caíram para aquecer a economia depois dos atentados terroristas. A solução foi inflar uma bolha, e isso está sendo repetido agora. Mas há uma grande diferença entre as duas situações: a disparada na dívida do governo. O próprio Congresso americano prevê uma série dedéficits orçamentários de 1 trilhão de dólares anuais na próxima década. Em cinco anos, 40% do orçamento americano será usado para pagar os juros da dívida. E, nesse ponto, a única coisa a fazer é dar calotes e imprimir dinheiro, criando inflação em larga escala. Essa é a essência do problema. Haverá um colapso do governo. Os Estados Unidos se transformarão numa república de bananas.
Melhor começar a estocar comida, então?
Haverá instabilidade social em consequência disso tudo. Há algo de podre no sistema. O contribuinte salvou os bancos, e agora os bancos estão tendo lucros recordes. Mas o desemprego continua aumentando e não vai diminuir tão cedo. A inflação vai crescer, corroendo o dinheiro dos americanos. Em alguma hora as pessoas vão acordar para isso.
Há alguma forma de evitar o apocalipse?
Para começar, o governo americano deveria assumir que existe um problema. Eles têm de avisar a população de que o país vai passar por pelo menos cinco anos dolorosos, de ajuste e cortes no orçamento. O padrão de vida, claro, cairia. Mas isso não vai acontecer. Os governantes americanos se acostumaram a não pedir sacrifícios aos eleitores. Em outros países, especialmente os asiáticos, é diferente. Mas não nos Estados Unidos. Finalmente, oFed deveria admitir que a bolha imobiliária foi causada pelo excesso de crédito na economia. Mas também nesse aspecto não há razões paraotimismo. Afinal, a máquina de imprimir dinheiro está funcionando a toda.
O dólar está perdido?
Quando eu olho para as ações do Fed, concluo que eles não têm o menor interesse num dólar forte. Pelo contrário. Paul Krugman (prêmio Nobel de Economia de 2008) disse recentemente que o dólar barato é bom, e acho que o Fed acredita nisso.
Como um investidor pode se proteger desse colapso?
Antes do colapso final, o governo vai inflar a bolha alucinadamente. Então, a última coisa que um investidor quer, nesse cenário, é ter títulos da dívida americana. Mas haverá muitas oportunidades para ganhar dinheiro até lá. Fui entrevistado emmarço e disse que o mercado acionário dispararia. Recomendei o investimento em commodities no início do ano. Se os governos continuarem imprimindo dinheiro nesse ritmo, o Dow Jones pode chegar a 2 milhões de pontos! Finalmente, é importante notar que os países emergentes estão em situação completamente distinta. Éimpressionante como China, Brasil e Vietnã , por exemplo, se desenvolveram nas últimas décadas. Esses países continuarão crescendo e são mais atraentes para os investidores do que os países ricos.
O senhor é considerado um investidor do contra há décadas. De onde vem tanto pessimismo?
Eu me habituei a recomendar a venda de coisas que estavam na moda e a compra de coisas que estavam fora de moda. É muito difícil encontrar opiniões assim emWall Street , pois, se seu conselho demora para dar certo, você perde o emprego. Por isso todos os analistas seguem a manada. Mas encontrei muitos clientes dispostos a ouvir a opinião de alguém que vai contra a manada. Eles entendem, e isso é muito importante, que é impossível preverexatamente quando o mercado vai virar. O máximo que se pode fazer é entender o que está acontecendo e traçar cenários. Quando comecei a dizer que o mercado japonês ia derreter, em 1988, a euforia durou mais 18 meses. O mesmo aconteceu quando recomendei que as pessoas apostassem contra aNasdaq, em 1999. A Nasdaq subiu mais 100% até 2000! Quando você é do contra, tem de se acostumar a ficar sozinho. Se todos começam a concordar com você, é melhor tomar cuidado.
Tudo bem, então, chamá-lo de Doutor Apocalipse?
Claro, não há problema algum.
Achei muito boa a analise dele. A única coisa que discordo é sobre a China, que vai pro buraco junto com o EUA.

